domingo, 15 de novembro de 2015

Saída de emergência

Minha melhor canção
está escrita na carne.
É triste, dita depressiva,
o que há de depressivo na solidão?
Estar em solidão
nem sempre é estar
                                                           só.

Dentro do silêncio
                                                           há tanto pensamento...
Como pensar só?
O processo não é mono
           é multi
                   é poli
                           são muitos dizeres dialogando
Um debate fervoroso de ideias...
...um perene rio de Dialética.
.
.
.
Não se pensa só.
É pneumática de postulados,
Hidráulica neuronal,
Mecânica fraseada imaginativa cinematográfica.
.
.
.
A canção de amor é triste
Melancolia de uma dor compartilhada
Uma dor conjunta à desgraça da humanidade.
.
.
.
"Não é possível ser feliz sozinho"¹
"Guardo os pulsos para o final"².





¹Christopher Mccandless, in memorian.
²Pitty em "Saída de Emergência".

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Nakba"

Estavam perfilados
corpos ardentes
suando protestos
gritando sua terra tomada
                                   arrancada
                                               expropriada
                                                              roubada
marchando sobre um calçamento
de sangue
de ossos
e corpos de seus antepassados


Reclamando suas tradições
hasteando seu Deus
em mastros de Fé
rezando liberdade aos locais sagrados
á sua cultura usurpada


Chorando em desespero
um acampamento imposto
em terras tomadas
                     arrancadas
                             expropriadas
                                        roubadas
ocupadas pelos seus vizinhos-algozes




Na
Esquina
À espreita
Uma corrente
De corpos armados
Os mesmos que os roubaram
Policiavam em segredo
E responderam
Com bombas
E balas
Os
Protestantes

As bombas estouram jogadas por seus vizinhos
As balas rasgam o ar de suas terras
E o ódio religioso-cultural
Se resume em um duelo injusto
como todo contexto
armotricinado pelo seu Tio querido, Sam:
Um policial com fuzil e granada
                  X
Um protestante com uma pedra na mão.


domingo, 11 de março de 2012

Porta-retrato

Uma porta aberta,
mesmo que em janela
um instante
enquadrado congelado
na estante,
uma porta sempre aberta
mesmo que semi-fechadas
num lapso-memorial
numa estante
instante cíclico
desdobramento de uma estante
cheia de instantes enquadrados
portas congeladas semi-abertas
esperando a mão memorial
abri-la
fazendo ressurgir
tudo e todo o sentir
dessas fotografias neurosentimentais.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Antítese de um Tuareg

Calejado de caminhar
Ao redor de tuas paragens
Férteis paisagens
Fustiga-se em esteira macia
Numa silenciosa insolação
                                               De virar-se
                               Revirar-se
                                                               Virar-se
                Revirar-se
Virar-se
                                                                              Revirar-se
Em seu leito de brasa-viva

Numa azia corrosiva
Com cantil repleto de água
A boca é sol a pino no deserto
Sentado a sombra ácida das palmeiras

Camelos saciados
Crianças na aurora ingênua despojados no dique
E cirandando seu brotar em umidade feliz
O Tuareg quase réptil
Des-ca-man-do
                               Ca-ma-da
                                               Por 
                                                     ca-ma-da
                                                                      Da 
                                                          der-me
                                                     À
e-pi-der-me
                                                                              Des
      ca
          man
                   do 
                             Ca
                                   ma
                                         da
                                                  Por
                                          Ca
                                    ma
                               da
Deixa-se revelar
Num choro copioso
De areia
Choro de ampulheta

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre pedras, cimento e asfalto

No fim da avenida do centro
A liberdade...
Entre verdades e meias-mentiras
Há liberdades por todas as margens
E paragens desta larga e envidraçada avenida

Germinam flores vitrificadas
Retorcidas em aço enraizadas em concreto
Pré-concebidas por deuses técnicos e acadêmicos
Com suas mãos de perfeitos traçados e curvas

Na Genesis desse paraíso de liberdade
Nunca as distâncias mais supremas
Foram tão suprimidas

A evolução nunca foi tão rápida
(ou seria uma revolução continuada)
Nada para
A liberdade engarrafada no meio da rua
Nada para
A liberdade numa ponta de uma faca
Nada para
A liberdade de pratos cheios e barrigas vazias
Nada para
A liberdade faminta devorando o planeta...

Mas minha liberdade esta aqui gradeada e encadeada
Na porta e janela de minha casa
Da sua casa
Do seu carro blindado
Do seu segurança...

Tenho a leve impressão que somos arvores
Cheias de vida e sendo livres
Mesmo sendo Bonsais.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Nem tudo é luz, ou trevas

A luz em ser luz
o é
nas trevas

A escuridão em si
o é
na luz

Mas entre o polo sul
e o polo norte
o sol inside
em movimento
e diferente
em cada ponto
sendo um movimento
segmentado
da luz
à escuridão
(segmentos e gamas infinitas
uma escala inominavel
de cores, de cinzas, de sombras...)

Quando um ponto
no globo
é dia
noutro é noite
entre eles
tantos outros
num espaço temporal
de claridades atemporais
e, assim, seguem-se
os dias
e os dias, assim,
vão

...

Resumir tudo
em dicotomia
é complexo
simplista
dos donos da verdade
e dicotomizar tudo
em luz ou escuridão
é uma tirania do saber:
impor sua verdade
e sua verdade vai ser sempre a bela

...

Nós humanos
recorremos a esse erro
e quando recai
que sua verdade é a luz
e a minha as trevas
(ou vice-versa)
exercemos a mesma função
de quem, muitas
e muitas vezes criticamos.

Como revolucionar
o mundo com sua luz
se não levar
que a mediocridade
da cega-única-verdade-virtude
não revoluciona nem em ti
a abertura para tua propria luz?

Somos e seremos
tiranos de ideiais e meiasverdades
ditatorizando
num rolo-compressor
o diferente

domingo, 17 de abril de 2011

De lágrima e tabaco

À alma, paz fustigada
amarrada
em linha puída,
não se debate
se resigna
a ansiedade
de querer ser livre
mas há liberdade
com paz?
na paz?

Tantos fatos
iniquos atos
injustos quadros
pobres retratos
de tantas realidades...
como há paz
em um ser
em tantas paisagens escravas?

Entanto, enquanto
a resignação
for a não ação
ou a ação passiva
de baixar a cabeça
e fazer vistas grossas
a escravidão pós-moderna
a paz é uma busca eterna
e sem liberdade
e sem felicidade...

...

Escrevo sem paz
inliberto
mesmo podendo ir e vir
sem restrição
mas com medo
cansado
dessa linha puída
e invisivel
que me prende o rabo
numa ansiedade
vertiginosa
- de ser livre
de ser feliz
(diz a felicidade estar em nós)
uma inverdade
fabricada em larga escala
produzida em "Tempos (pós)Modernos"
vendida em autoajuda
numa virtual-super-hiper-liquida-ação -
embotado em lágrimas
suor-dos-olhos-tristes
e fumaça de tabaco
expiração-palpitante-depressiva.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tudo pode se perder na memoria, menos os amores

"Um grande amor agente nunca esquece"
Na minha verdade
isso não cabe
como medir o tamanho
de um sentimento?
sendo ele o amor, então?
.
.
.
Quando o maldito alemão
chegar a mim
e aos poucos fores
fazendo seu assassinio
de lembranças:
sejam suadas choradas
risadas gargalhadas
caricias gozadas
malicias olhadas;
e uma-a-uma
declinar ao seu tiro
degradante
degenerativo
o amor ainda estará
aqui
se não na memoria cerebral
na corporea
cada ruga uma rusga fustigada cançada
presente à pele
pois os amores na vida
(pois quem tem um amor
viveu pouco
eu tive amores)
deixaram suas feridas
umidas ainda
sem sarar por completo
sendo eternas
mesmo que cicatrizem...

As prateleiras da biblioteca-de-recordação
podem esvaziar-se
mas as marcas
na estante da lembraça
sejam desenhos formas
em acumulos de poeiras-neuroniais
ou ranhuras nas sinapses já degeneradas
restarão

Mesmo desconhecendo logicamente
o significado do vislumbre-delirio senil
restarão sentidos
sentimentos variados
mesmo em batimentos
lentos e vagarosos
em espasmos do pré-mortem

Sobrarão amores
mesmo com cerebro vazio
sobrarão mesmo que seja
no outro
em quem fica

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Recordações da ditadura militar

Socorro!
Os militares voltaram
a democracia
morre torta na baioneta da hipocrisia

Socorro!
Há vergonha escondida
nas ideias subtendidas
de falsos moralistas?

Socorro!
O sangue da liberdade
escorre agora em palavras de censura
as mesmas que enlouqueceram Geraldo Vandré
e tortura
que sumiram tantos corpos
desapareceram tantas vidas

Socorro!
Alguém apanha minha vergonha
pela minha melancolia
pois minha alegria
é rir da mesquinharia
de uns
e tantos outros
ditos puros
ou quase perfeitos
Deuses e não humanos

Socorro!
Ponham a vergonha ridícula
em minha cara
façam dela vara
ou açoite
e me torturem num carcere virtual
ou me escravizem num pau de arara

Soneto da masturbação - Ode a punheta

Faço sexo seguro
a anos com a mesma vadia
ela come meu falo
enche sua palma vazia

Me deleito em suas cavidades
mal traçadas pela vida
cicatrizes das idades
da jovialidade perdida

Lambuzo teus morros
satisfaço a mim, meu ego,
estremeço de gozos

Uivo num grito cego
a vontade de tê-la atroz
de novo, meter-la veloz

...

Há anos eu transo alegria
numa desapegada ilusão
dum egoísmo racional
de conhecer meu próprio pau
fodendo com segurança e emoção
minha mão vadia

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Qual a ordem das coisas? Há ordem? Ou melhor há moral? Que moral? Pensando... Há ética?

Quanta sombra fria
na irradiação do sol
na cega luz do dia

Quanto silêncio complacente
numa sinfonia em sibemol
na fila(des)armonica de gente

Quanto olhar espantado
num mar de pestanas cumplices
em maremoto de indiferenças

Quantas bocas em crenças
na fé radical da salvação
masca e fustiga o irmão
numa ansia de ve-lo escarrado

Quanta orelha sadia
capta em escuta minuciosa
tudo que se diz
numa fala astuta e ambiciosa
reproduz ao sabor do dia
o melhor, arrotando o que condiz

Quanta voz abafada
numa tristeza escondida
sorrindo entre-dentes ofendida
na divina resignação
numa torpe aceitação
gritava mesmo enraivada

Quanto calor radiante
na treva sedutora da noite
clareia em lua ofuscante
.
.
.

Nada ou tudo
caminha junto
separados numa descida
comuns em ingrime subida
.
.
.
Nada está em ordem
tudo em desordem
nada na desordem
tudo em ordem

Qual nada
tudo depende da ordem
ou desordem de quem quer
como quer
ou como quer que sejam
.
.
.

Tudo tem moral
nada é amoral
tudo tem parte imoral
nada na moral
tudo amoral
nada tem de imoral

Qual tudo
nada a moral
entre o amoral e o imoral
na instituição do que o é
quem é o que tem
qual que tem?
.
.
.

Tudo tem uma certa ética
nada vive sem ética
numa instituição coorporativista da sua ética
tudo, assim, nada em uma ego-ética
nada, portanto, paira em etica-grupista...

Qual tudo vive num conjunto
onde nada inexiste
na utopica vastidão de um todo harmonico
Há a ética num tudo bem comun
nada, em segundo, o individual interesse.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O lento assassinato de um espirito romântico

As vozes em ecos
ecos
ecos de socorros
percorrem em ondas
um vale rigido
de paredes flácidas

Pedidos de S.O.S.
escrito em sangue
por todos os lados
sendo um só lado
o de dentro

Marcas de unhas
num esforço homerico
de não desabar nesse despenhadeiro
sem fim
rastros de um passado
preso em não despencar

Ecos de socorro
numa queda enorme
queda livre
mesmo tão preso
no esquecimento do que era
para ser o que quer
que tem que ser

E ele esse espirito livre
que amava os detalhes
mesmo sendo pequeninos entalhes
empurrado por uma mão
mesmo sendo sua
nesse vale
sem fim
de um fim
que nem veio
ainda
estende-se contraido
retraido
nessa queda preso
em livre arbitrio
da dita dura resposabilidade

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A grande (des)ilusão

Quando de tudo
uma vida se inteira
e de uma parte
de tudo reparte
ao passado tende a volver

Refazer as trilhas
já andadas
na memoria
é exercicio comico
se não tragico

A rebeldia da juventude
ardente em vigorosa
intempestiva dona da verdade
passa por cima
qual rolo compressor radical
amassando tudo
qual betume no asfalto

Agindo agindo
não sem pensar
mas num pensar fixo
quase concreto
(porem utopico)
que sua forma
é a forma certa
querendo fazer sua verdade
a verdade universal

Tirano de jovem idade
impõe
e não repõe as perdas
não cura as feridas
machuca e arranha
o que difere de sua imagem refletida
Narciso adolescente
forte e descrente
do pensamento e ações diferentes

Crente cego
em sua fé microscópica
não vê futuro
esquece passado
é só presente
o prazer eufórico
efemero do instante

Trava trincheiras
entre os seus
os teus
e os outros
isolado na ilha-de-ego
.
.
.
A graça tragica
é sentar seus cabelos grisalhos
num banco
e saudoso de sua juventude
perceber o quanto
por tanto
tempo
fou tão pouco
e perdido na sua utopia
poderia ter sido mais
mais se não fosse
assim
quem seria sentado
no banco
nem sabe se estaria?

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Tem remédio para isto?"

Pergunta feita por uma amiga, entre lágrimas e risos.

        Remédio
Para dormir
        Remédio
Ao acordar
        Remédio
Para o apetite
        Remédio
Para não dormir
        Remédio
Para digestão
        Remédio
Para trabalhar
        Remédio
Para conviver
        Remédio
Para diversão
        Remédio
Para pensar
        Remédio
Para engravidar
        Remédio
Para nascer
        Remédio
Para desinibir
        Remédio
Para crescer
        Remédio
Para controlar
        Remédio
Para curar
        Remédio
Para transar
        Remédio
Para dor
        Remédio
Para tensão
        Remédio
Para viver
       Remédio
Para sonhar
       Remédio
Para realidade
       Remédio
Para adaptar
       Remédio
Para saudade
       Remédio
Para não morrer
   De Tédio
       Remédio

Poesia escrita em 04/02/10, mas batizada ontem pela magnífica pergunta.

domingo, 14 de março de 2010

Jardim improvável

Em solo humanamente
enriquecido:
       o humus das viceras
                já apodrecidas
                é terra firme fertilizadas
       o cálcio e os benefícios
                dos ossos já triturados
                esmigalhados misturados
                a essa terra fértil
                faz vida ainda mais vida
                nessa terra rica
       não contente em riqueza
                esse solo tão humano
                recebe em devorada felicidade
                a irrigação bombeada
                em paixão inconstante
                sangue numa explosão vulcânica
                fazendo do solo
                úmido, poroso, viceral
                uma lama fervente
                avida de vida
                avida de criação
                berçario, horta, jardim
               
Um manguezal
semeado por letras
brotante em palavras
folheado em versos
floreado em estrofes
colhido ou replantado em poesias
ou perdido em garrafas-poemas-vazias
                                                ou cheias de ausências
(na subida da maré)

segunda-feira, 8 de março de 2010

4º andar

No hall
entrada
salão festivo
elevador
escada
esporádicos
bons dias
boas tardes
boas noites
ou gesto simples
de segurar portão

No primeiro andar
sede administrativa
casa da sindica

No segundo andar
nada
a não ser
que está entre o primeiro
e o terceiro

No terceiro andar
uma laje
de separação
vozes perdidas
mal escutadas
mal entendidas
não identificadas
só do 304
que sobe em reclamação
das fumaças
das cinzas
de cigarros desgaarrados
tragados no coração

No quarto andar
quatro portas
quatros vidas
separadas
divididas
desconhecidas
isoladas
em blocos vigas e cimentos
que o ponteiro
do dia-a-dia
velozes atrozes ferozes
sela em distância
vizinhos sentimentos

Nos demais andares
escadas
e lajes acima
igualmente embotados
na distância individualista
dos cimentos blocos e vigas
edificada

sexta-feira, 5 de março de 2010

Porta-retrato

Porta fachada
num retrato fechado

Porta tristeza
num retrato sorriso

Porta lágrimas
num retrato fachada

Porta vernizes
num retrato sem cor

Porta dores
num retrato colorido

Porta vida
num retrato ferido

Porta alegria
num retrato rasgado

Porta chagas
num retrato curado

Porta fechada
Porta aberta
num retrato fachada

quinta-feira, 4 de março de 2010

temos que ser estanques ou somos voláteis?

O sol que nasce
hoje
não é o mesmo
ao se por a tarde
tão pouco
ao nascer amanhã

O rio que passa
agora
já não é o rio porvir
nem o rio ali na frente
é o que passou aqui

A árvore
na sua
raiz
constante
se move
inconstante
atemporal
não é de hoje
nem de amanhã
muito menos de ontem

O ar não para
                     é aqui
                              não é ali
                                          nem vai ser aculá
nem no passado
nem do presente
nem do futuro
é só
e todo
mo
vi
men
to

Nem o ser humano
tem por tudo
uma fixação no tempo
o tempo todo:
as ideias passam
os amores chegam
os sentimentos virão
as paixões
padecem
padeceram
padecerão

O vivo morre
o morto vive
o novo é velho
o velho é novo

Como a chuva que
cai
mesmo perene
não é aquela, daqui
agora,
a mesma ali
adiante

Como a pedra
milenar
mesmo imovel
na ilusão dos sentidos
não para
nem congela
num ponto fixo do tempo

Tudo muda todo muda tempo tudo tempo todo
tempo todo tempo tudo muda todo tempo muda
tempo muda muda todo tudo tempo tudo todo
tudo todo tudo tempo todo tudo muda tudo
muda tudo todo tudo muda tempo todo tempo
todo tempo tudo todo muda tempo muda tudo
muda tempo todo tempo todo tudo muda tudo
todo tudo muda tudo tudo todo tempo muda
tudo tempo tudo todo tempo muda tempo todo
muda todo tempo muda tempo todo tudo muda
tempo tudo tempo todo tudo muda todo tempo
todo muda tudo muda todo tempo muda tudo

num lapso
flexo
reflexo retorno
nada para tempo todo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Acordar e ver a luz do sol se por

Todo sonho
é só um sonho
que sonho
em matizes
coloridas imaginações

Amores cumplices
entendimentos
sentimentos
companheiros
correspondidos
compreendidos

Amizades presentes
todos juntos
num só caminho
caminho abraçados
de sonhos comuns
compartilhados

Paz não no horizonte
mas nas pegadas
comuns divididas
de mãos dadas
no presente
desde ontem

Um sonho
sonho não utópico
um sonho real
não um paraiso
mas um sonho humano
de entendimento
de respeito
em sermos diferentes
sendo um só
mesmo sendo tantos
tão diferentes
mesmo dentro da gente
somos tantos tão diferentes
e tão iguais
em sermos em nós
tão diferentes

Um sonho
de sonhar em harmonia
de uma sinfonia
de uma orquestra
chamada humanidade

...

Não vi esse nascer de sol
nem verei de mão dadas aos amigos
cada um tem seu próprio caminho
cada um tem seu proprio quadrado
e não gostam de ser desviados
e não gostam de ser invadidos
mas cabe respeita-los

...

Como cabe
a um sonhador
num tempo do enterro do carinho
chorar acordado
solitário
a luz do sol
se por
num horizonte distante
distante até de um futuro
bem distante.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Pânico apertado

O medo dá um abraço
forte abraço
apertado
ajustado
bem
muito bem apertado
sufocante
junto a um
único beijo
beijo rançoso
asqueroso
desenperançoso

O medo nina um sono
embala um sono febril
sono quente
borbulhante em sonhos
sonhos de culpas
transpirantes sonhos
de culpas
da carne
da obscenidade
dos desejos
(aflorados e/ou reprimidos)

O medo é um suor
que escorre
feroz
atroz
em musculos retraídos
tensos
densos
de ansiedade contraída
ele
suor fétido
ensopa a carne
jorra
brota qual geiser
de apreensão
de prontidão
num jato veloz
que agita tudo
que queima a paz
num fogo
vivo
de uma taquicardia
frequente
crescente
em vertigem
nascente num lençol
lençol "freiático"
frenético em vertigem

O medo numa progressão
geomerica
sem razão
num expoente biquadrático
cresce
cresce
torna-se mais
muito mais
evolutivo
que uma bola de neve
que uma avalanche
se fortalece e cresce
num pavor vigente
num pavor evidente
em olhos corredores
de cem metros
sem metros
numa fração de tempo
facção de segundo

O pavor condensa
qual água
empedrada
congela
aperta a vida
engessa
o passo
num pânico constante
perene aperto
do pensamento
da espontaneidade