Um amor se desfaz
numa silaba tônica
Um sonho é desperto
numa monossilábica
plavra solta
Uma vida perde o prumo
numa oxitona
final
...
No soar sinfônico
de um sino bucal
na harmonia desritimada
de um coração afônico
na tempestiva alvorada
de desmedida emoção
nasce assassina nasal
teminada em ão
Num tom
destoante da canção
romântica
que soava ao longe
em barcos a velejar
vinha a música muda
de olhares surdos
em lágrimas cegas
de um não ecoante
...
Sútil melodia
da dançante
lingua aflita
findou um sentimento
perdido
na leveza de ondas
em lazarino vento
derrubando a última
esperança orvalhada
de um timpano triste.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
Ode as metades
Somos tantos
em um só
somos metades
tão diferentes
que nem somos inteiros
nem somos só metades.
Tantos eus
num só pote
meio
meio
meio
mesmo que inteiros
somos metades
nem iguais
nem desiguais
metades de ser
que somos um
cheio de metades de seres
Não somos um só
mesmo sendo só um
somos tantos
em tantas metades
que metade vos fala
outra vos olha
outra vos sente
outra vos mente
outra vos julga
outra vos ouve
outra vos toca
outra vos esconde
outra vos revela
outra que pensa
outra que age
uma que repreende
uma que compreende
uma que sorri
uma que é muda
uma que é cega
uma que é surda
uma entende
uma que chora
uma que repele
uma que vos pede
uma que vos nega
uma que vos aceita
são tantas
em tantos meios
que não se perdem
nem se acham
...
somos tantos e tantas
meios e metades
que nem percebemos
e nos achamos um só
sendo tanto tão tanta
metade
Não digo cinquenta porcento
uma
cinquenta outra
somos tão infinitos
em nós mesmos
que não compreendemos-nos
a si, em tantas metades,
mas abusamos em compreender
os outros tão infinitos
em tão infinitas metades
Numa crescente
globalizada pluralizada
singulares metades
metamorfoseam-se
mitoses meioses de eus
que infinitudes de eus
em metades de metades
de metades tão complexas
de complexas metades
que o eu não sabe de si
nem quantos "sis" habitam em um eu
Somos tantos
em tantas partes
que julgam complexos
os humanos
tão simples seres
únicos mesmo
que em infinitas metades
em um só
somos metades
tão diferentes
que nem somos inteiros
nem somos só metades.
Tantos eus
num só pote
meio
meio
meio
mesmo que inteiros
somos metades
nem iguais
nem desiguais
metades de ser
que somos um
cheio de metades de seres
Não somos um só
mesmo sendo só um
somos tantos
em tantas metades
que metade vos fala
outra vos olha
outra vos sente
outra vos mente
outra vos julga
outra vos ouve
outra vos toca
outra vos esconde
outra vos revela
outra que pensa
outra que age
uma que repreende
uma que compreende
uma que sorri
uma que é muda
uma que é cega
uma que é surda
uma entende
uma que chora
uma que repele
uma que vos pede
uma que vos nega
uma que vos aceita
são tantas
em tantos meios
que não se perdem
nem se acham
...
somos tantos e tantas
meios e metades
que nem percebemos
e nos achamos um só
sendo tanto tão tanta
metade
Não digo cinquenta porcento
uma
cinquenta outra
somos tão infinitos
em nós mesmos
que não compreendemos-nos
a si, em tantas metades,
mas abusamos em compreender
os outros tão infinitos
em tão infinitas metades
Numa crescente
globalizada pluralizada
singulares metades
metamorfoseam-se
mitoses meioses de eus
que infinitudes de eus
em metades de metades
de metades tão complexas
de complexas metades
que o eu não sabe de si
nem quantos "sis" habitam em um eu
Somos tantos
em tantas partes
que julgam complexos
os humanos
tão simples seres
únicos mesmo
que em infinitas metades
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Destino, coincidência, karma ou acaso: uma estrada de trevas e luzes
Numa estrada de penumbra
sempre a meia luz
nada tão revelado
nada tão encoberto
sempre a meia luz
tudo em perspectiva
de interpretação
dançando no liame da semi-ótica
Nessa estrada tudo tão novo
de novo
tudo tão novo de novo
a história não se repete
é ciclica elipitica e torta
mudam-se as personagens
trocam-se os sujeitos
os predicados
os adjuntos
os complementos
mas o sentido
resiste
não é repetido
a medida que tudo é novo
mesmo que de novo
tudo é novo
...
Entretem o subjetivismo
a ideia de destino
de coisas pré-traçadas
numa introspecção desesperada
de perceber onde reside a culpa
e a participação do ser
no traçado das linhas tortas
de um caminho mudo
de um mundo lido em karmas
hereditariedade das cruzes
uma geneticidade dos erros
e dos acertos
passados inconcientemente
no quociente conciente
das meioses e mitoses
das atitudes pensamentos
virtudes defeitos
sentimentos paixões
depressões
vidas e mortes
reproduzidas na carga genetica
cinquenta por cinquenta
de resgates e resgatados
em familias
amigos
namoradas namorados
em tudo se diz presente
como fruto do passado
amadurecido no futuro
(ou apodrecido)
...
Instigam a objetividade
o fato de serem meras coincidências
todo acontecimento como meras
filhas do acaso
seres soltos no tempo
a deriva no mar dos fatos
dos atos
de uma lógica rota
de uma alógica madrasta
que abandona orfãos
ao fardo do puro
acaso
deus bruto e belo
punitivo e amoroso
"o acaso é um dos deuses mais lindos"
será tudo obra do acaso
filhas de meras coincidências?
a resposta é o proprio acaso que dará
ou seguiremos no estreito cruzamento
da razão da emoção do instinto?
...
Estou numa rua
a cada poste iluminado
cinco, vezes seis ou mais
apagados
Estou no fim de linha
de uma linha de onibus
que não sei qual é
nem sei como peguei-a
mas estou aqui
sem saber por onde rumar
tendo tanto andado sem prumo
ou carregado meu laço pesado
de nós karmicos
Se é tudo fruto
do Destino
algo no futuro
já está pronto
Se é tudo filha
da coincidência
algo no futuro
está sem rumo
A rua tem caminhos
sombrios e penumbrantes
e os mais iluminados
não sei qual lei
que rege
ou o acaso
ou o karma?
Me resigno da minha
ignorância humana
baixo a crista
e sigo persistente
numa caminhada
que não sei para onde vai
nem sei se sei
ou realmente sei para onde vai
abaixo a cabeça
levanto os olhos
tentando iluminar uns postes
e apagar tantos outros.
sempre a meia luz
nada tão revelado
nada tão encoberto
sempre a meia luz
tudo em perspectiva
de interpretação
dançando no liame da semi-ótica
Nessa estrada tudo tão novo
de novo
tudo tão novo de novo
a história não se repete
é ciclica elipitica e torta
mudam-se as personagens
trocam-se os sujeitos
os predicados
os adjuntos
os complementos
mas o sentido
resiste
não é repetido
a medida que tudo é novo
mesmo que de novo
tudo é novo
...
Entretem o subjetivismo
a ideia de destino
de coisas pré-traçadas
numa introspecção desesperada
de perceber onde reside a culpa
e a participação do ser
no traçado das linhas tortas
de um caminho mudo
de um mundo lido em karmas
hereditariedade das cruzes
uma geneticidade dos erros
e dos acertos
passados inconcientemente
no quociente conciente
das meioses e mitoses
das atitudes pensamentos
virtudes defeitos
sentimentos paixões
depressões
vidas e mortes
reproduzidas na carga genetica
cinquenta por cinquenta
de resgates e resgatados
em familias
amigos
namoradas namorados
em tudo se diz presente
como fruto do passado
amadurecido no futuro
(ou apodrecido)
...
Instigam a objetividade
o fato de serem meras coincidências
todo acontecimento como meras
filhas do acaso
seres soltos no tempo
a deriva no mar dos fatos
dos atos
de uma lógica rota
de uma alógica madrasta
que abandona orfãos
ao fardo do puro
acaso
deus bruto e belo
punitivo e amoroso
"o acaso é um dos deuses mais lindos"
será tudo obra do acaso
filhas de meras coincidências?
a resposta é o proprio acaso que dará
ou seguiremos no estreito cruzamento
da razão da emoção do instinto?
...
Estou numa rua
a cada poste iluminado
cinco, vezes seis ou mais
apagados
Estou no fim de linha
de uma linha de onibus
que não sei qual é
nem sei como peguei-a
mas estou aqui
sem saber por onde rumar
tendo tanto andado sem prumo
ou carregado meu laço pesado
de nós karmicos
Se é tudo fruto
do Destino
algo no futuro
já está pronto
Se é tudo filha
da coincidência
algo no futuro
está sem rumo
A rua tem caminhos
sombrios e penumbrantes
e os mais iluminados
não sei qual lei
que rege
ou o acaso
ou o karma?
Me resigno da minha
ignorância humana
baixo a crista
e sigo persistente
numa caminhada
que não sei para onde vai
nem sei se sei
ou realmente sei para onde vai
abaixo a cabeça
levanto os olhos
tentando iluminar uns postes
e apagar tantos outros.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
PonTuAções
Toda narração
tem pontos
virgulas acentos...
Pontos
em ações
das histórias
das vidas
corridas
narradas
escritas
ditadas
descritas
por atores
ou diretores
ou autores
das suas proprias vidas
das dos outros
ou ditadores de vidas
alheias
Mas as pontuações
pontua ações
acentua ações
regula ações...
enfatiza
inicializa
infinitualiza
questiona
ou finaliza
ações
...
Tem gente adepta
do ponto
aquele que termina
um ponto final
Muitos sob justa
causa
finalizações.
Outros sob justa
defesa
protege-se
faz de bloqueio
um escudo-final
pondo um ponto
numa historia
inacabada
numa frase
que cabia
reticências
Deixa de escrever
um capitulo
uma pagina
ou um paragrafo
que poderia
PO-DE-RIA
ser feliz
ou triste
não se sabe
foi fechado
lacrado
num ponto de finalização
Muitas lágrimas
podem ter sido
evitadas
assim
ou terem sido
derramadas
por finalizações antecipadas
ou não
por medo
ou não
assim como os risos
quantos
quantos risos
se calaram
ou não
num ponto
de finalização?
....
Sinceramente
gosto da interrogação
minha amiga
parceira
do conhecimento
depois dela
vem a humanidade
da razão
a dor do pensamento
a indigestão
do raciocinio...
Mas
sou mesmo
é apaixonado
pela reticências
(não por deixar
coisas sem
falar)
(talvez por ser
amiga
da introspecção)
por ter
um sentido
de imensidão
um valor
de infinitude
um signo
da eternidade...
além de ser
amiga
da interrogação
não tão clara
explicita
como a sinuosa amiga
mas
intrigante
em suas longas
pernas enigmaticas...
tem pontos
virgulas acentos...
Pontos
em ações
das histórias
das vidas
corridas
narradas
escritas
ditadas
descritas
por atores
ou diretores
ou autores
das suas proprias vidas
das dos outros
ou ditadores de vidas
alheias
Mas as pontuações
pontua ações
acentua ações
regula ações...
enfatiza
inicializa
infinitualiza
questiona
ou finaliza
ações
...
Tem gente adepta
do ponto
aquele que termina
um ponto final
Muitos sob justa
causa
finalizações.
Outros sob justa
defesa
protege-se
faz de bloqueio
um escudo-final
pondo um ponto
numa historia
inacabada
numa frase
que cabia
reticências
Deixa de escrever
um capitulo
uma pagina
ou um paragrafo
que poderia
PO-DE-RIA
ser feliz
ou triste
não se sabe
foi fechado
lacrado
num ponto de finalização
Muitas lágrimas
podem ter sido
evitadas
assim
ou terem sido
derramadas
por finalizações antecipadas
ou não
por medo
ou não
assim como os risos
quantos
quantos risos
se calaram
ou não
num ponto
de finalização?
....
Sinceramente
gosto da interrogação
minha amiga
parceira
do conhecimento
depois dela
vem a humanidade
da razão
a dor do pensamento
a indigestão
do raciocinio...
Mas
sou mesmo
é apaixonado
pela reticências
(não por deixar
coisas sem
falar)
(talvez por ser
amiga
da introspecção)
por ter
um sentido
de imensidão
um valor
de infinitude
um signo
da eternidade...
além de ser
amiga
da interrogação
não tão clara
explicita
como a sinuosa amiga
mas
intrigante
em suas longas
pernas enigmaticas...
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