terça-feira, 15 de maio de 2012

"Nakba"

Estavam perfilados
corpos ardentes
suando protestos
gritando sua terra tomada
                                   arrancada
                                               expropriada
                                                              roubada
marchando sobre um calçamento
de sangue
de ossos
e corpos de seus antepassados


Reclamando suas tradições
hasteando seu Deus
em mastros de Fé
rezando liberdade aos locais sagrados
á sua cultura usurpada


Chorando em desespero
um acampamento imposto
em terras tomadas
                     arrancadas
                             expropriadas
                                        roubadas
ocupadas pelos seus vizinhos-algozes




Na
Esquina
À espreita
Uma corrente
De corpos armados
Os mesmos que os roubaram
Policiavam em segredo
E responderam
Com bombas
E balas
Os
Protestantes

As bombas estouram jogadas por seus vizinhos
As balas rasgam o ar de suas terras
E o ódio religioso-cultural
Se resume em um duelo injusto
como todo contexto
armotricinado pelo seu Tio querido, Sam:
Um policial com fuzil e granada
                  X
Um protestante com uma pedra na mão.


domingo, 11 de março de 2012

Porta-retrato

Uma porta aberta,
mesmo que em janela
um instante
enquadrado congelado
na estante,
uma porta sempre aberta
mesmo que semi-fechadas
num lapso-memorial
numa estante
instante cíclico
desdobramento de uma estante
cheia de instantes enquadrados
portas congeladas semi-abertas
esperando a mão memorial
abri-la
fazendo ressurgir
tudo e todo o sentir
dessas fotografias neurosentimentais.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Antítese de um Tuareg

Calejado de caminhar
Ao redor de tuas paragens
Férteis paisagens
Fustiga-se em esteira macia
Numa silenciosa insolação
                                               De virar-se
                               Revirar-se
                                                               Virar-se
                Revirar-se
Virar-se
                                                                              Revirar-se
Em seu leito de brasa-viva

Numa azia corrosiva
Com cantil repleto de água
A boca é sol a pino no deserto
Sentado a sombra ácida das palmeiras

Camelos saciados
Crianças na aurora ingênua despojados no dique
E cirandando seu brotar em umidade feliz
O Tuareg quase réptil
Des-ca-man-do
                               Ca-ma-da
                                               Por 
                                                     ca-ma-da
                                                                      Da 
                                                          der-me
                                                     À
e-pi-der-me
                                                                              Des
      ca
          man
                   do 
                             Ca
                                   ma
                                         da
                                                  Por
                                          Ca
                                    ma
                               da
Deixa-se revelar
Num choro copioso
De areia
Choro de ampulheta

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre pedras, cimento e asfalto

No fim da avenida do centro
A liberdade...
Entre verdades e meias-mentiras
Há liberdades por todas as margens
E paragens desta larga e envidraçada avenida

Germinam flores vitrificadas
Retorcidas em aço enraizadas em concreto
Pré-concebidas por deuses técnicos e acadêmicos
Com suas mãos de perfeitos traçados e curvas

Na Genesis desse paraíso de liberdade
Nunca as distâncias mais supremas
Foram tão suprimidas

A evolução nunca foi tão rápida
(ou seria uma revolução continuada)
Nada para
A liberdade engarrafada no meio da rua
Nada para
A liberdade numa ponta de uma faca
Nada para
A liberdade de pratos cheios e barrigas vazias
Nada para
A liberdade faminta devorando o planeta...

Mas minha liberdade esta aqui gradeada e encadeada
Na porta e janela de minha casa
Da sua casa
Do seu carro blindado
Do seu segurança...

Tenho a leve impressão que somos arvores
Cheias de vida e sendo livres
Mesmo sendo Bonsais.